Paulo e o Sofrimento 3

 

2 Cor 4.16  Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia. 17  Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; 18  Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.

 

É raro haver quem, espontaneamente, diminua o ritmo alucinado da vida para aprender a suportar as dificuldades com paciência, num mundo que oferece alivio instantâneo para dores e promove a aquisição de bens materiais para realçar o bem estar físico.

 

A perspectiva de Paulo está evidenciada nestes textos. Cada uma das suas três razoes que o ajudaram a suportar o sofrimento, enfatiza o valor do que é eterno sobre o efêmero. Sua aplicabilidade é nos mostrada sempre que nos debatemos com uma provação, e ficamos indefesos pela proximidade da aflição ou de uma situação financeira ruim.

 

 

As coisas espirituais estão acima das materiais

2. Cor 4.16  Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia.

 

Paulo era capaz de suportar qualquer tipo de sofrimento físico porque, antes de mais nada, estava mais preocupado com o que acontecia no reino espiritual do que no material.

Ele envelheceu mais rápido do que o normal, por causa dos implacáveis maus tratos – físicos e emocionais- que sofria nas mãos dos inimigos.  Mas ele pôde dizer com confiança que seu homem interior estava renovando-se dia-a-dia (16). Em analogia direta à corrupção de seu homem exterior (corpo físico) estava o crescimento e o amadurecimento de seu homem interior, nosso lado imaterial e eterno, feito numa nova criatura – que Efesios 4.24 e Col 3.10 chama de novo homem. Paulo estava mais preocupado com sua renovação do que com qualquer declínio em seu lado físico (Ef 3.16)

O consistente exemplo de Paulo é a prova de que o sofrimento está diretamente relacionado ao crescimento espiritual. Se a vida de Paulo não serve como prova suficiente para o que acabamos de dizer, temos varias outras promessas semelhantes espalhadas pela Bíblia – 1 Pe 5.10/Isaias 40.28-31.

O Senhor nos dará capacidade de resistência de que precisamos à medida que olharmos para além do que é material, e em direção ao que é espiritual.

 

Valorize o futuro mais do que o presente

2 Cor 4.17 Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; ( vd tbém Rm 8.18)

 

O segundo segredo de Paulo que o capacitava a suportar os sofrimentos, é que ele dava mais valor ao futuro do que no presente. Para ele, era uma questão de se olhar para alem da tribulação presente, para se compreender que ela produz para nós um peso eterno de gloria mui excelente. As aflições que ele suportava na terra eram irrelevantes, comparadas aquela grande realidade futura.

Elaphros é a palavra grega para “leve”. A sua perspectiva era estarrecedora, visto os sofrimentos terrenos pelo qual passava. Então do ponto de vista celestial, para ele era leve!

 

Pedro também nos dá uma perspectiva assim: 1 Pe 1.6-7

7 Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações,

7  Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo.

 

De acordo com a Bíblia, sempre há uma relação entre o sofrimento presente e a gloria futura. Todos os nossos problemas e sofrimentos têm um efeito causal em nossa gloria futura. Este efeito não é meritório, mas produtivo – produz um eterno peso de gloria.

 A palavra grega barus traduzida por “peso”, significa mais precisamente “pesado”. É como se os sofrimentos de Paulo estivessem formando um pesado volume num dos lados de uma balança de dois pratos. O volume representa o peso eterno de gloria, que está inclinando a balança em favor do futuro acima do presente. Em essência, Paulo podia tolerar as constantes aflições em apreço, contanto que elas tivessem um impacto positivo em sua glória futura.

 

Valorize o eterno mais do que o temporário

A terceira razão por que Paulo suportava melhor o sofrimento era que ele dava mais valor às coisas eternas do que às transitórias.

2 Cor 4.18 Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.

A ênfase do condicional indica que, enquanto mantivermos nosso olhar fixo (pela fé) na direção certa – olhando as coisas que não se vêem – daremos prioridades às realidades futuras, espirituais e, portanto, suportaremos com paciência e graça os sofrimentos desta vida. Quando falamos de “fé”, lembramos os textos de Hebreus 11.1,3,6). Deus dá maiores prioridades ao que não se vê.

 

11.1   Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.


11.3   Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem.


11.6   De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam.

 

Desde que Paulo reconheceu esta prioridade, nós também deveríamos reconhece-la – seja desfrutando tempos de bênçãos ou provações. Durante seu ministério, Paulo estava absorto com o mundo eterno e invisível; um reino no qual suas maiores preocupações eram adorar a Deus e a Jesus Cristo e salvar as almas das pessoas perdidas. Quando focalizamos nossa atenção nas coisas de real valor – eternas – as aflições e dificuldades temporais, até mesmo as mais severas, tornam-se muito mais suportáveis. Mas a chave para isso é a nossa perspectiva e prioridade eternas, como o Senhor Jesus instrui no Sermão do Monte (Mt 6.19-21).

Paulo continua sendo um exemplo extraordinário de como se deve lidar com o sofrimento. Ele não confiava em sua própria força ou em alguma formula secreta para uma vida bem sucedida. Em vez disso, sua chave para o sucesso era manter o foco de sua atenção no Reino de Cristo e na gloria de Deus. Para cumprir sua visão, Paulo dependia inteiramente do suprimento das riquezas espirituais de Deus: sua Palavra, Seu Espírito, Seu Filho e as orações dos crentes.

 

Por Pr. Fábio Alcântara

 
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